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B/Oc Alpha Delphini Enfrentado Mares Bravios

Uma vez mais a embarcação do IOUSP projetada para operações costeiras prova o seu valor realizando, com sucesso, campanha em regiões de mar profundo.

adelphini10No dia 5 de novembro de 2015, enfrentando ondas de mais de dois metros, o Barco Oceanográfico Alpha Delphini, sob o comando do Comandante Gouvea, largou em direção a 34.5oS, para sua segunda campanha em apoio ao SAMOC, um Projeto Temático do Programa de Pesquisas FAPESP em Mudanças Climáticas Globais (Proc. FAPESP 2011/50552-4). Navegando com condições de mar não muito propícias, o Alpha Delphini chegou a Rio Grande na madrugada do dia 9, onde embarcou a equipe de cientistas para a realização das atividades de campos na linha SAMBA (Figura 1). Nesse mesmo dia, 9 de novembro, o AD partiu para o trabalho de campo, que consistiu da recuperação e o relançamento de uma eco-sonda invertida com sensor de pressão (PIES), no “Site B”, e a recuperação dos fundeios de um marégrafo de fundo (BPR) e de um perfilador acústico de correntes (ADCP), lançados pelo mesmo Alpha Delphini, em dezembro de 2013.

A operação de recuperação, recondicionamento e relançamento da PIES, em um ponto com cerca de 3500 metros de profundidade, foi realizada com total sucesso no dia 10/11. A recuperação do ADCP e do BPR, fundeados na quebra da plataforma continental (profundidades de 450 m e 150 metros, respectivamente), foi feita no dia seguinte, 11 de novembro.

Mais de quatro anos de dados armazenados no registro interno da PIES foram recuperados. Porém, devido a detalhes técnicos, os dados do ADCP e do BPR não puderam ser lidos a bordo. Por essa razão, decidiu-se por não relançar esses equipamentos, trazendo-os para o laboratório em São Paulo, onde os dados serão lidos e os instrumentos recondicionados para relançamento em cruzeiro a bordo do Alpha Crucis, previsto para março de 2016. No geral, as estruturas dos fundeios nas regiões mais rasas (ADCP & BPR) foram recuperados em muito bom estado. A estrutura de fundo do marégrafo ainda está com a pintura original, para reutilizá-la bastaria fazer a troca dos anodos de sacrifício. Porém, um ponto de corrosão na antena do sinalizador de radio, inutilizou a mesma. No fundeio do ADCP, com exceção da corrosão da verificada na corrente que ficava abaixo dos liberadores, em contato com os ganchos de aço inox dos mesmos, o restante das ferragens estava também em boas condições. A corrosão dessa corrente era prevista e teria sido amenizada se o fundeio tivesse sido realizado pelo Navio Oceanográfico Alpha Crucis, conforme previsto originalmente. Limitações técnicas durante o lançamento com o Alpha Delphini em dezembro de 2013, em caráter emergencial devido à impossibilidade de uso do Alpha Crucis, implicaram na utilização de um cabo extra (PP, diâmetro de 20 mm e 5m de comprimento), o que isolou eletricamente a referida corrente da poita; caso a mesma tivesse ficado em contato com a grande massa da poita, esta muito provavelmente teria servido de anodo para o conjunto.

Os liberadores acústicos (Benthos) que, em principio, eram considerados mecanicamente pouco robustos, funcionaram a contento. Uma outra boa notícia foi que, apesar de o pacote de baterias alcalinas ter autonomia de somente um ano, segundo o manual do fabricante do liberador, os equipamentos funcionaram bem mesmo passados 23 meses no fundo do mar.

Pesquisadores embarcados:

Francisco Luiz Vicentini Neto – IOUSP
Wilson Natal de Oliveira – IOUSP
Luiz Antonio de Andrade Mariano – IOUSP
Ulises Rivero – NOAA (EUA)
Carlos Augusto de Sampaio França – Consultor

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